Publicado em 18/07/2019 às 20:07

O coordenador de Meio Ambiente da Porto do Açu Operações e Engenheiro Florestal, Daniel Nascimento, participou hoje do II Simpósio de Restauração Ecológica do estado do Rio de Janeiro, promovido pela PUC Rio, em parceria com o ISS (Instituto Internacional para Sustentabilidade). Ele integrou a mesa “A prática da restauração ambiental em grande escala: dificuldades e perspectivas” e falou sobre o trabalho da Porto do Açu em prol da conservação do ecossistema de restinga na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Caruara, em São João da Barra (RJ).

A reserva, que completa 7 anos amanhã, foi criada e é mantida voluntariamente pela Porto do Açu e tem aproximadamente quatro mil hectares – o equivalente a quatro mil campos de futebol e a quase metade da área operacional do Complexo do Porto do Açu. Trata-se da maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do Estado do Rio de Janeiro e a maior unidade privada de restinga do país, em que já foram identificadas 9 tipologias vegetacionais, 240 espécies de flora e 311 de fauna, incluindo algumas ameaçadas de extinção, como o melocactus (Melocactus violaceus), o largato do rabo verde (Glaucomastix littoralis) e a borboleta da praia (Parides ascanius).

Na RPPN Caruara são desenvolvidos trabalhos de restauração vegetal e monitoramento de fauna e flora, com mão de obra local, que atualmente emprega cerca de 40 moradores da região. Todas as mudas plantadas na reserva são produzidas em um viveiro próprio, que é dedicado ao ecossistema de restinga e pode produzir até 500 mil mudas por ano. O viveiro produz e maneja 87 espécies e, até agora, mais de um milhão mudas foram produzidas e plantadas na RPPN.

“Estamos realizando um trabalho de restauração de restinga ao longo dos anos, que já nos permite observar a olhos nus o contraste entre as áreas de vegetação natural íntegra e das áreas que foram degradadas no passado, por cerâmicas e usinas de cana de açúcar, e que ainda estão em fase de replantio”, afirmou o coordenador.

De acordo com Daniel Nascimento, a área degradada correspondia a 1/3 da área total da RPPN Caruara e restaurá-la por completo é um grande desafio, pelas dificuldades peculiares desse tipo de ecossistema: solo salino, pobreza nutricional, ventos fortes, escassez hídrica. “Atualmente, temos 1.400 hectares para serem restaurados, que são divididos de acordo com as empresas licenciadas e que atuam dentro do Complexo do Porto do Açu. Assim podemos prestar serviços ambientais aos nossos clientes, empresas que operam no Açu, adicionando valor ao Complexo e contribuindo para a conservação do ecossistema local”, explicou.

Atualmente a RPPN encampa 7 grandes linhas de pesquisa e já serviu de base para 24 estudos e cerca de 50 produtos acadêmicos, entre teses, artigos e resumos. “Antes do início do nosso trabalho, que começou em 2012, não havia na academia estudos aprofundados sobre restauração de restinga para serem aplicados em campo. Trabalhamos arduamente no desenvolvimento dessas técnicas e fomentamos pesquisas acadêmicas, para compartilhar com o mundo nossas lições aprendidas”, afirmou Nascimento.

As linhas de pesquisa encampadas na Caruara são sobre Padrões Funcionais e Plasticidade Fenotípica das Espécies de Restinga; Interação Inseto-Planta; Recomposição Florestal; Fauna – Populações; Diversidade Florística; Micologia e Anatomia Vegetal. Dentre alguns dos estudos já realizados estão: preservação da espécie do lagarto do rabo verde – típico de restinga; importância da polinização das abelhas para restauração de vegetação de restingas; insetos galhadores e sua importância na composição da restinga e diversidade da fauna; reflorestamento e regeneração natural de restinga, dentre outros.

Para Daniel Nascimento, viabilizar a pesquisa acadêmica e promover esse tipo de discussão é de suma importância para toda a sociedade. “Eventos como esse, que colocam a importância da restauração ambiental em pauta e permitem a discussão entre diversos setores da sociedade, são fundamentais para melhoria das técnicas e políticas públicas direcionadas. A RPPN Caruara, por exemplo, considerada um case de sucesso de replantio em grande escala, não é apenas um ativo do Complexo do Porto do Açu, mas de toda a comunidade”, destacou.

Também participaram da mesa, Luiz Paulo Ferraz, da Associação Mico Leão Dourado, Nicholas Locke, da REGUA e Dr. Richieri Sartori, professor da PUC Rio e organizador do evento.

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